Tuesday, October 29, 2013

Dólar fecha com leve alta ante o real, à espera do Fed e BC



Por Bruno Federowski e Marília Carrera


SÃO PAULO, 29 Out (Reuters) – Sem grandes novidades e com os investidores mantendo suas expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve, banco central norte-americano, e sobre a rolagem dos swaps que vencem em novembro no Brasil, o dólar fechou com pequena alta ante o real nesta terça-feira.


No entanto, operadores afirmam que o próximo pregão tende a ser mais movimentado, com a proximidade da formação da Ptax de outubro na última sessão do mês. Segundo eles, a decisão do Fed também pode adicionar volatilidade na quarta-feira, mas o impacto é limitado porque o mercado não espera grandes novidades.


O dólar teve leve alta de 0,09 por cento, para 2,1819 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 2,7 bilhões de dólares, bem maior do que a média diária deste mês, de cerca de 1,1 bilhão de dólares.


De acordo com dois operadores de grandes bancos, o pico no volume veio de uma operação de forte saída de divisas protagonizada por uma grande empresa local. Segundo eles, contudo, o impacto sobre a cotação foi anulado pelo efeito dos leilões de swap do BC.


“O fluxo de notícias (nesta sessão) foi irrelevante perto do que o mercado espera”, disse o gerente de operações do banco Confidence, Felipe Pellegrini.


Investidores trabalham com a expectativa de que o Fed vai adiar a redução do seu programa de compra de ativos, no valor de 85 bilhões de dólares mensais, pelo menos até o início do próximo ano, corroborando maior liquidez nos mercados internacionais.


Com isso, aguardam a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed, que acontece nesta terça e quarta-feira, em busca de sinais sobre o futuro da política monetária norte-americana.


“O grande destaque da semana fica para a reunião do Fomc”, afirmou o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki. “A redução dos estímulos acabou sendo postergada e a expectativa é de que ela ocorra só no ano que vem, com alguns contratempos como a paralisação do governo norte-americano tendo colaborado para isso”, explicou.


No Brasil, expectativas de que o BC não rolará todos os contratos de swap cambial tradicional –equivalente à venda de dólares no mercado futuro– com vencimento em 1º de novembro também refletiram nas negociações neste pregão. Para alguns operadores, a rolagem deverá ser parcial devido à entrada de recursos no país decorrente do leilão de Libra, que exige o pagamento de bônus de 15 bilhões de reais no total.


Na semana passada, a petroleira francesa Total informou que trará recursos de fora do país para pagar sua parcela no bônus do leilão de Libra, equivalente a 3 bilhões de reais.


Para o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca, o BC não deve rolar integralmente os contratos e, com a ajuda dos recursos do leilão de Libra, o dólar deve ser manter em torno de 2,20 reais.


“Na minha visão, eu acho que o BC não vai rolar integralmente (os contratos), porque ele quer manter o dólar em 2,20 reais, um bom nível para os exportadores”, disse.


Nesta terça-feira, o BC deu continuidade à segunda série de rolagem dos contratos que vencem na sexta-feira, vendendo a oferta total de 20 mil contratos, distribuídos igualmente entre vencimentos em 2 de maio e 1º de outubro de 2014.


Com isso, a autoridade monetária já rolou o equivalente a 4,943 bilhões de dólares em swaps, ou pouco mais de metade dos 8,87 bilhões de dólares que vão vencer. Na quarta-feira, o BC deve fazer o último leilão com a finalidade de rolar esses contratos.


Analistas ressaltaram ainda que a disputa pela formação da Ptax de outubro deve ampliar as oscilações nos próximos pregões.


“Amanhã, o mercado pode ficar um pouco mais descolado do exterior por conta da Ptax. Vai ter uma boa briga entre comprados e vendidos”, disse o operador de um importante banco nacional, para quem o impacto tende a ser a valorização do dólar.


A Ptax é a taxa média de câmbio calculada diariamente pelo BC e que serve de referência para diversos contratos cambiais. À medida que se aproxima sua formação mensal, agentes do mercado costumam realizar operações pontuais para favorecer suas posições.


Mais cedo, o BC realizou mais um leilão de swap cambial tradicional, previsto em seu cronograma diário de atuações, com a venda de mil contratos com vencimento em 5 de março de 2014 e 9 mil contratos com vencimento em 2 de junho de 2014. Os volumes financeiros equivalentes das operações foram de 49,8 e 446,5 milhões de dólares, respectivamente.




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